sábado, 5 de junho de 2010

Câmara da Murtosa não controla o crescimento dos chorões nas dunas

Resolvi visitar o centro de educação ambiental que está construído em cima das dunas, sobre estacas, na Torreira.

Penso que este centro de educação ambiental servirá para mostrarmos às pessoas a grande importância que o sistema dunar e a sua vegetação autóctone têm na defesa da costa. Trata-se dum ecossistema frágil que todos devemos preservar e proteger.

No patamar do edifício existem umas escadas que terminam em cima das dunas e que quase convidam as pessoas a caminhar nas dunas.



Também se pode observar que as dunas que o envolvem, estão cheias de chorão das praias, que tem invadido este local, assim como outros no concelho da Murtosa como, por exemplo, os terrenos que ladeiam a estrada entre a ponte da Varela e a Bestida, mesmo no coração da NaturRia.

Não desprezando o factor humano na destruição das dunas em Portugal, o chorão é considerado um dos principais destruidores dunares.

De acordo com o Decreto-Lei 565/99 de 21 de Dezembro, Anexo I – Espécie introduzida em Portugal Continental, o chorão é considerada uma espécie invasora e entende-se como “espécie invasora” uma espécie susceptível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas (alínea o - Artigo 2º).

A grande facilidade de invasão desta planta deve-se ao seu vigoroso crescimento vegetativo, levando à formação de extensos tapetes contínuos, impenetráveis, que substituem a vegetação nativa e impedem o seu (re)estabelecimento. Além disso, promove a acidificação dos solos facilitando o seu próprio desenvolvimento.

O facto de impedirem o (re)estabelecimento da flora nativa das dunas, provoca o seu desaparecimento, acabando assim a primeira defesa natural contra a subida do mar.

As plantas nativas com as suas raízes longas e fortes penetram na areia formando uma estrutura de suporte para as dunas, mas o chorão com as suas raízes superficiais não ajuda no suporte das dunas.

O controlo mecânico é considerado o mais eficaz e com menor impacto sobre o meio natural desta espécie. Os indivíduos podem ser arrancados manualmente, sendo fundamental que não fiquem fragmentos vegetativos, os quais rebentam facilmente originando novos focos de invasão. Depois de arrancados não devem ter qualquer contacto com o substrato, devendo ser-lhes cortada a raiz e leva-los para um local onde não haja hipótese de regeneração. São mais fáceis de controlar enquanto jovens, aconselhando-se a reintrodução imediata de espécies autóctones.

Informar para não pisar as dunas e ter escada que facilita o acesso às mesmas é errado.

Informar que o chorão é um infestante e estar rodeado de chorões, também é errado.

Sr. Presidente da Câmara, que educação ambiental é esta?

Espero que estas situações sejam rapidamente corrigidas.

Não basta ter um centro de educação ambiental e não ter o cuidado com toda a envolvência desse local.

A Câmara Municipal deveria ser a primeira a dar o exemplo.


Informei a Câmara e o Sr. presidente da Câmara nem me respondeu na assembleia Municipal, revelando infelizmente pouca sensibilidade para questões ambientais.