sábado, 24 de abril de 2010

Comemoração do dia 25 de Abril - Augusto Carlos Vidal Leite na Assembleia Municipal de Águeda

Exm.º Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Exm.os Membros da Assembleia Municipal,
Exm.º Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Exm.ª Vereação da Câmara Municipal,
Senhoras e Senhores,



Dia 25 de Abril de 1974, 10 anos antes de eu nascer.
36 anos depois estamos a comemorar este marco histórico aqui em Águeda.

Não me vou referir aos tempos anteriores à revolução de Abril, porque sei que outros o irão fazer muito melhor do que eu. Mas não posso deixar de prestar a minha homenagem a todos aqueles que souberam lutar pela liberdade do povo, incluindo a deles. Disse liberdade do povo, porque é a interpretação que faço do que foram os objectivos dos que lutaram para se libertarem da liberdade só para alguns – a ditadura.

A minha geração teve a felicidade de nascer em liberdade e, por isso mesmo, com maior responsabilidade do que aqueles que nem sequer sabiam o que isso era – mas sentiam.

Os movimentos estudantis foram desde sempre um elemento de pressão sobre os poderes constituídos. Durante os tempos da ditadura e hoje.

O projecto imaginário para que se consiga a felicidade pública, é utópico. Mas é a melhor forma para se seguir em frente. É a melhor forma dos jovens participarem na política.
Não foi no acreditar que se podia viver com maior felicidade e em democracia, que houve a revolução de 25 de Abril?

Com a nossa participação não se poderá lutar contra o egoísmo dos interesses instituídos?

Não poderemos lutar por melhores escolas, por melhores condições de trabalho? Lutar para acabar com a pobreza?

Participar e sonhar é a nossa tarefa.

Hoje, temos de colocar sempre na reflexão sobre a nossa vivência democrática, a questão da qualidade da democracia que vivemos. Hoje, temos de fazer isso. Amanhã também. E depois, e depois, e depois … também.

Como responsável do Núcleo Associativo da ESTGA, sinto-me honrado pelo convite que me fizeram para aqui estar hoje. É mais um momento para mostrar que a universidade está com a comunidade local. É mais um momento para mostrar que devemos aceitar o desafio e o confronto com a inovação e a inteligência.

Queremos ser uma voz na formação social, nesta terra que nos acolheu e nos dá o apoio e a força para acreditarmos que o mundo pode ser melhor. Um mundo de verdade.

Não resisto em aproveitar as palavras que encontrei num livro na estante lá de casa, da autoria de Manuel da Costa e Melo, nascido em Mourisca do Vouga, in “Memórias Cívicas”, que numa reflexão sobre a necessidade de parar, mesmo no fim do livro, dizia:

…”Agora, entrado já em Abril e olhando ainda as andorinhas da Primavera verdadeira que vão escasseando nos beirais, julgo que a tentação de parar é mais forte e já não lhe resisto nem contra ela sinto forças capazes de me levar para lá da paragem, em silêncio, até que nova Primavera dum qualquer outro Abril me traga, com a esperança reacordada, a visão segura do caminho interrompido já depois de libertado aos passos livres do eterno peregrino.

E já não terei tempo para recomeçar!
É natural!
Console-me, ao menos, a ideia de que os de lá da luz não aproveitarão, como próprio, todo este bater de asas em busca de céus onde só em Liberdade se pode tentar voar.”

Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Águeda,

Todos temos de fazer, que os de lá da luz não aproveitarão, como próprio, o bater das asas em busca da Liberdade.

Termino fazendo uma referência à dedicatória que Costa e Melo faz no início desse livro:

“ A CULPA FOI TUA, MÃE.
ANTES DE ME ENSINARES A TER MEDO DOS LOBOS,
HABITUASTE-ME A DIZER SEMPRE A VERDADE!”

Temos necessidade de respirar. Tanto quanto o grandioso vinho da Bairrada.
Os jovens têm de fazer saltar todas as rolhas para que o néctar da Liberdade possa ser consumido.

E farão disso Lei.

Tenho a certeza.
Julgo que não é utopia.
Mas mesmo que o seja, vamos conseguir.

Viva o 25 de Abril.

Águeda, 24 de Abril de 2010.
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Augusto Carlos Vidal Leite


Ver intervenção aos 00:05:45 minutos